Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica , intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ( do inglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. No caso de bullying assistimos a uma relação desigual de poder, em que um ou mais alunos tentam dominar e humilhar os demais. Trata-se de um problema de forte impacto no desenvolvimento de crianças e adolescentes e que afeta pelo menos 70% dos alunos de escolas brasileiras.
De acordo com Neto (2005) em 20% dos casos as pessoas são simultaneamente vítimas e agressoras de bullying, ou seja, em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de assédio escolar pela turma. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida.
O bullying fazia parte da vida de Wellington Menezes de Oliveira, que invandiu a escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, em abril deste ano, matando 12 alunos e suicidando em seguida.Um colega de sua turma contou que ele falava sozinho, era humilhado por outros estudantes e permanecia sozinho no recreio. Alguns alunos amarravam o cadarço dele à mesa e um dia o jogaram na lixeira, afirmou Rodrigo França, um dos colegas de Wellington.
Especialistas ventilam a hipótese de o atirador possuir algum tipo de transtorno mental, talvez desencadeado pelo estresse sofrido pelo bullying. A tragédia suscita a idéia de que algo precisa ser feito para mudar esse ambiente de violência na escola. Uma pesquisa realizada pela ONG Plan Brasil, em 2008, mostrou que 70% dos alunos de escolas brasileiras pesquisadas alegam terem sido vítimas de violência na escola, sendo que 84% consideram a sua escola violenta. Os pesquisadores entrevistaram 12 mil estudantes. Outro levantamento realizado pela Associação Brasileira Multidisciplinar de Proteção à Infância e à Adolescência, em 2002, envolvendo quase 6 mil alunos do sexto ao nono anos de ensino fundamental de 11 escolas do Rio de Janeiro, mostrou que 40,5% dos estudantes admitiram ter algum envolvimento com o bullying, sendo 16,9% como vítimas, 12,7% como agressores e 10,9% afirmaram serem vítimas e também agressores.
Pesquisas mostram que as vítimas de agressões nas escolas podem desenvolver depressão e transtornos de ansiedade, o que pode culminar em suicídio. E aqueles que praticam a violência contra os colegas na escola podem apresentar transtornos de conduta na adolescência.
Vale ressalta que o bullying isolado não é causa do tipo de comportamento apresentado por Wellington Menezes. Mas as agressões sofridas na escola podem ser o gatilho que desencadeou outras doenças psiquiátricas. Neste caso, o bullying estava associado à esquizofrenia, afirmou Gustavo Teixeira, autor do Manual Antibullying, publicado pela editora Best Seller.
No Manual Antibullyng, vemos que crianças agressivas têm maior capacidade de manipular outras crianças, enquanto às vítimas são crianças que não conseguem pedir ajuda. Normalmente os meninos são mais agressivos e partem para a agressão física, enquanto o bullying nas meninas pode ser mais escondido, por isolamento, exclusão, difamação.
De acordo com Gustavo Teixeira, os agressores são crianças mais habilidosas na comunicação e têm facilidade de mobilizar outras crianças. Eles tem uma agressividade exacerbada, são fisicamente mais fortes, são mais autoconfiantes e podem até ser populares entre os colegas. Eles costumam confrontar pais, professores, são mais falantes e extrovertidos. O agredido tem poucos amigos, geralmente é tímido, retraído e mais fraco fisicamente. Crianças com essa característica e que sofrem bullying podem apresentar rendimento ruim na escola, são solitárias e passam o recreio sozinhas. Esses alunos têm um prejuízo muito grande na autoestima, eles não conseguem pedir ajuda, por medo ou por acreditar na impunidade, o que faz que o problema continue. Essa postura passiva nas vítimas que respondem às agressões com choro, é vista como um sinal de que elas são alvos fáceis dos agressores. Mas é certo que há exceções, como por exemplo uma criança que foi atendia por Gustavo Teixeira que era vítima de bullying porque era a melhor aluna da sua turma, mas ela tinha uma dificuldade de comunicação que a impedia de pedir ajuda.
Um outro fator importante a respeito do bullying é que de acordo com Gustavo Teixeira, quando a criança é vítima de agressão em casa, ela pode aprender que o comportamento agressivo é normal. O pai por exemplo pode pedir à criança para bater nos demais, como se isso fosse natural. Crianças que vivem em lares pouco harmoniosos, marcados pela violência e com pouco diálogo, têm maiores chances desenvolver um comportamento agressivo. A permissidade dos pais também pode gerar crianças desafiadoras, com comportamento agressivo na escola. A violência em casa pode favorecer o bullying, tanto no caso dos agressores quanto no caso das vítimas, que são maltratadas pelos pais e que chegam à escola com autoestima muito prejudicada, o que a torna um alvo fácil em relação aos demais alunos.
Como identificar se uma criança está sendo alvo de bullying?
1. Conquista poucos amigos;
2. Passo o tempo do recreio sozinho;
3. Chega em casa chorando sem explicar o motivo;
4. Tem medo de ir a escola;
5. Chega em casa com material destruído;
6. É xingado, ridicularizado ou recebe apelidos pejorativos na escola;
7. Tem machucados, arranhões, roupas rasgadas, manchadas de giz ou caneta;
8. É agredido fisicamente, mas não é capaz de se defender;
9. Está envolvido em brigas levando sempre a pior;
10. É excluído das brincadeiras;
11. Apresenta uma queda no rendimento escolar;
12. Parece estar sempre infeliz e desmotivado para ir a escola;
13. Fica inseguro nos momentos que antecedem a ida a escola;
14.Prefere a companhia dos adultos no recreio;
15. Mostra-se inseguro e ansioso na sala de aula;
16. Nunca apresentou nenhum amigo aos pais;
17. Nunca via a casa de colegas da escola;
18. Dorme mal e tem pesadelos com temática escolar;
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| Abordagem do Bullying de maneira cômica no seriado "Todo Mundo Odeia o Chris" |
Dica de Leitura:
Como se deve agir para combater o bullying? Muitos livros estão sendo publicados sobre o tema, mas, atualmente, talvez esta seja a principal dúvida de pais e educadores. Hoje, todos conseguem enxergar a gravidade do problema e, exatamente por isso, percebem que tanto o agressor quanto o agredido precisam da ajuda de alguém devidamente capacitado para resolver a questão sem gerar ou agravar traumas. Após anos de pesquisa dedicados ao tema, e com larga experiência adquirida no atendimento a crianças vítimas de bullying, o Dr. Gustavo Teixeira aborda a questão com a competência de quem é autoridade no assunto. Organizado para que os leitores tenham conhecimento prático, o livro oferece dicas para lidar com a situação e ensina a perceber quando uma criança se torna alvo de bullying na sala de aula, no pátio da escola ou até mesmo na internet.
Ficha Técnica
Editora: BEST SELLER
ISBN: 8576845407
ISBN13: 9788576845409
Edição: 1ª Edição - 2011
Número de Páginas: 112
Acabamento: BROCHURA
Formato: 14,00 x 21,00 cm
Referência:
- Aramis A. Lopes Neto. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. J Pediatr (Rio J). 2005;81(5 Supl):S164-S172: Violência escolar, violência juvenil.
- Revista Psiquê Ciência e Vida – Ano VI nº 68.

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