terça-feira, 18 de agosto de 2015

Afinal, qual o padrão de beleza da pós-modernidade? De Gisele a Valesca Popozuda


Valesca e Gisele 

Em cada época é fácil identificar o apreço generalizado por um ou outro tipo físico, dos corpos roliços aos mais secos, das barriguinhas pronunciadas aos abdomens tanquinho, dos seios minúsculos aos bustos siliconados. Perceber criticamente os padrões de beleza pode contribuir para desmistificá-los e abrir possibilidades para além de suas idealizações.  São as reflexões críticas que nos permitem romper com as condições petrificadas ideologicamente.
Na Pré-História, o corpo era arma de sobrevivência, a fim de caçar e correr dos predadores, mas nas primeiras civilizações, os treinos e as atividades sempre estiveram voltados a necessidades coletivas, como guerrear”, diz Denise Bernuzzi de Sant’Anna, professora de história da PUC-SP, autora dos livros Corpos de Passagem e Políticas do Corpo.
Em outros períodos, a religião moldou a visão coletiva das questões relativas ao corpo. “Como o corpo era considerado sagrado, a Igreja proibia dissecações e estudos de cadáveres”, diz Luís Ferla, professor de história da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Só entre os séculos 15 e 16 despontou uma nova perspectiva, mais individualizada. Um processo que perdura e se radicaliza até hoje.
Na atualidade temos basicamente três referências de beleza, o padrão miss universo, da Ieda Maria, o padrão passarela, tipo Gisele Bundchen. Ou o padrão mais cheio de curvas, da Valesca Popozuda.
Com o boom das blogueiras fitness, podemos perceber que o ideal contemporâneo é o ideal de um corpo completamente enxuto, compacto, firme, jovem e musculoso. Ser magro, esbelto, não basta, a flacidez, a gordura e as imperfeições devem ser corrigidas e eliminadas, pois a carne não deve mexer-se e o corpo deve ser firme, harmonioso e sem a presença das marcas do tempo. De acordo com a autora citada o corpo musculoso e tonificado é o sinal mais evidente de um comportamento correto, em compensação o corpo gordo e sem músculos é julgado com desprezo, pois indica falta de cuidado.
 Socialmente o corpo musculoso e tonificado confere não apenas atributos físicos, mas está associado ao cuidado intenso com o corpo, sucesso profissional e sentimental, símbolo de virilidade masculina e sinônimo de ostentação feminina.  O corpo transformou-se numa ditadura do corpo, valendo se utilizar de todos os aparatos científicos e tecnológicos que o mercado dispõe para que, de fato, as pessoas possam se enquadrar no modelo dito ideal. Nesse sentido, na busca pela musculatura firme e definida, características que configuram a beleza do corpo atlético, o uso indevido de suplementos alimentares, medicamentos e anabolizantes, objetivando aumento e definição muscular em curto prazo reflete a maneira drástica como os homens vêm lidando com o próprio corpo, na promessa de possuir um corpo belo.
Nesse sentido, compreendemos que na busca excessiva pelo corpo jovem, tonificado, sem imperfeições, sem gorduras e atlético, potencialmente arquitetado e construído pelo próprio homem, parece surgir uma nova forma de dualismo. No entanto, não mais o dualismo que opõe a alma ao corpo, mais sutilmente aquele que opõe o homem ao corpo, no sentido em que, diante das inúmeras possibilidades de intervenção corporal, se modificando a aparência, o próprio homem é modificado.
Para tanto, como podemos evidenciar a harmonia dos movimentos, a magreza e os músculos conferem um modelo de corpo ideal. Corpo simétrico, esbelto e musculoso, construídos e difundidos socialmente como símbolo de beleza e como tal, sinônimo de desejo de muitos.
As discussões ressaltando o interesse, a busca e os investimentos de homens e mulheres por um corpo bonito, magro, saudável e atlético, é uma questão que cotidianamente pode ser percebida através dos mais diferentes discursos presentes na sociedade, como por exemplo, revistas, jornais, programas de televisão, rádio, cinema, internet, academias, clubes, dentre outros.
Entendemos que os discursos e as representações publicadas de um padrão corporal a ser seguido, constroem um sentido e vendem uma imagem determinada sobre a beleza. Sendo esse discurso, por vezes, ao adentrar em nosso cotidiano, construidor de determinadas verdades.
Em A ordem do Discurso (1996), Michel Foucault lembra essa questão e diz que a produção do discurso é controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certos procedimentos, que se desloca constantemente, construindo verdades. Para o autor, o discurso é fruto das relações entre as interdições e a apropriação social das falas:
    [..] é muito abstrato separar [..] os rituais das palavras, as sociedades de discurso, os grupos doutrinários e as apropriações sociais. A maior parte do tempo, eles se ligam uns nos outros e constituem espécies de edifícios que garantem a distribuição dos sujeitos que falam nos diferentes tipos de discurso e a apropriação dos discursos por certas categorias de sujeitos (FOCAULT, 1996, p. 44).
Nesse sentido, o corpo e a beleza estão presentes em nosso cotidiano, construídos, moldados e marcados pelo contexto de vida dos indivíduos, onde as trocas e escolhas pessoais são constantes, ou seja, construímos nosso próprio modelo de beleza, mas não há como negar que somos bastante influenciados nesse processo, pelos discursos que nos cercam. Entretanto, é preciso refleti-los, buscando lembrar que não falamos simplesmente de objetos, mas de corpos, de sujeitos, que tem escolhas, sentidos e desejos, por vezes, diferentes.
Dialogando com Foucault (1998), ao falar sobre a sexualidade, o discurso que se fala e se cala na vontade de saber sobre o sexo, podemos tomar como referência o corpo e a beleza, que tal como o sexo perpassam sobre discursos de poderes. Quanto a isso, ele afirma que, os discursos [...] nem são submetidos de uma vez por todas ao poder, nem opostos a ele [...] o discurso veicula e produz poder; reforça-o mas também o mina, expõe, debilita e permite barrá-lo. (FOUCAULT, 1998, p. 111-112).

Pré-História


A Vênus Paleolítica




Pouca gente seria capaz de achar sexy a moça rechonchuda representada nesta escultura. Pois os arqueólogos que encontraram a peça de 28 mil anos acreditam que ela represente um modelo de beleza feminina valorizado por nossos antepassados das cavernas. A Vênus de Willendorf, uma escultura de apenas 11 cm, pode ter sido usada em rituais de fertilidade, já que carnes generosas durante muito tempo foram consideradas propícias à procriação.






 
1.200 A.C - As primeiras academias

 Na Grécia, a educação física eraconsiderada um pilar da formação dos homens, que desde meninos frequentavam os gymnasiums, complexos esportivos quetambém eram centros de formação intelectual. Ali, além de treinar para setornar soldados ou competir em jogos públicos, os garotos estudavam filosofia,literatura e música. Havia estabelecimentos específicos paratreinamento de boxe e luta, as palaestras.Os atletas se exercitavam sem roupa (gymnos significa “nu” em grego).









Século I

Mente sã corpo são 
   

   O poeta romano Juvenal que viveu entre os séculos 1 e 2 foi quem cunhou a expressão men sana in corpore sano. Embora deslocada de seu significado original (Deve-se orar por um por uma mente sã em um corpo são, a citação atravessou milênios. No império Romano, os treinos militares com marchas e exercícios pesados, forjaram soldados fortes e atléticos.  








Idade Média

Mergulho nas Trevas 
Sob a influência da Igreja, foram abandonados os hábitos de higiene e saúde herdados dos gregos e romanos. “Cuidados com o corpo eram considerados pecaminosos”, diz Denise Sant’Anna, professora da PUC-SP. Qualquer preocupação estética era vista como afronta às leis divinas. As obras de arte mais escondem que evidenciam os corpos.

1450

O redescobrimento da anatomia
Leonardo da Vinci é o maior dos “artistas-anatomistas” do Renascimento. Encheu vários cadernos com anotações e desenhos sobre o funcionamento de órgãos, ossos e músculos, que estudava dissecando cadáveres. Reproduzida à exaustão, uma das ilustrações dos diários, o Homem Vitruviano (1490), expressa as proporções matemáticas do corpo humano.

Renascimento

Das Virgens às Vênus 


 O Renascimento resgata valores humanistas e artísticos e o apreço pelos padrões de beleza da Antiguidade. A Virgem Maria, musa dos pintores medievais, cede espaço para representações da deusa Vênus, ninfas e semideuses despidos. As mulheres exibem longos cabelos, formas roliças e voluptuosas e até uma barriguinha pronunciada. Um dos quadros da época é O Nascimento de Vênus (1485), de Botticelli.




Pintores e escultores renascentistas desafiaram a Igreja e deixaram até Jesus Cristo praticamente nu. Deuses, heróis gregos e bíblicos e santos e anjos exibiam músculos definidos, corpos sem pelos e mostravam até os pênis, sem pudor. O maior ícone desse resgate é Davi, de Michelangelo, considerado até hoje modelo de perfeição das formas masculinas.






O homem nu

1900

O pai da musculação

O prussiano Eugen Sandow (1867-1925) enxergou na musculação um filão inexplorado. Bolou alguns dos primeiros equipamentos, criou a primeira competição oficial de fisiculturismo (em 1901) e lançou a primeira revista especializada no gênero, a Physical Culture.

Entre os anos 1920 e 30 surgiu a expressão sex-appeal. Ela tentava explicar a sensualidade no jeito de andar, de falar e até de encarar os homens. Nos chamados Anos Loucos, as mulheres, incorporadas ao mercado de trabalho, adotaram um visual andrógino, com cabelos curtos e seios e quadris disfarçados em vestidos retos. Em 1925, o corte de cabelo à la garçonne era usado por uma em cada três mulheres.
Os astros de Hollywood foram as grandes referências de beleza e forma física durante os anos 40 e 50. Sexy, voluptuosas, com quadris largos e seios fartos acentuados pelos sutiãs com enchimento, divas como Rita Hayworth e Jayne Mansfield encarnaram a femme fatale. Mas a morte prematura consagrou Marilyn Monroe como o maior símbolo sexual de todos os tempos.

sex-appeal - 1920

Seios fartos, cintura fina e quadris avantajados configuram a silhueta da mulher-violão. O cinema europeu é pródigo em exportar divas nesse padrão, como a francesa Brigitte Bardot. Em contraste, as revistas de moda exaltam um tipo magricela, com jeitão de garoto, cabelos curtos e ausência de curvas, personificada pela inglesa Twiggy, a maior top model da época.

Tempo de liberação sexual e igualdade de direitos entre homens e mulheres. Os padrões de beleza masculinos sofrem mudanças drásticas. “As distinções ficaram mais tênues; os homens deixaram crescer os cabelos, ficaram menos musculosos e usaram roupas unissex”, diz a professora Denise Sant’Anna. Astros do rock como Mick Jagger e David Bowie consagram o visual andrógino.

Em 1966, o austríaco Arnold Schwarzenegger era um entre milhares de fisiculturistas. Tudo mudou após ser eleito Mr. Olympia por seis vezes, de 1970 a 1975. Na década de 1980, ele se tornou referência para gerações de praticantes de musculação depois de aparecer em filmes como Conan, o Bárbaro e O Exterminador do Futuro. Em 1989, criou o Arnold Classic Weekend, um dos mais prestigiados eventos mundiais de fitness.

Hollywood - 1940
Fitness para todos: a democratização do videocassete deu impulso ao surgimento dos vídeos com aulas de ginástica para fazer em casa. O mais célebre deles foi o Jane Fonda Workout Video, lançado pela atriz americana em 1982, reunindo exercícios de força, flexibilidade e resistência. Fonda nunca mais parou: na sequência, produziu mais 23 fitas e seis DVDs, o último deles lançado em 2012, aos 74 anos.

Modelos sempre ditaram padrões de beleza. Mas foi diferente com Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Linda Evangelista e Kate Moss, as top models da virada dos anos 1980 para 1990. Altas, magras, curvilíneas sem exageros, dominaram passarelas, capas das revistas e campanhas das grandes marcas a ponto de seus anos de glória terem sido batizados de A Era das Supermodelos.

A indústria do consumo tem o objetivo de vender seus produtos, sejam eles: Cigarros, carros, cervejas, roupas, calçados, ou até mesmo comidas, com o corpo da mulher. Hoje o corpo feminino vende tudo, mas esta imagem de corpo perfeito, esta espetacularização da moda, tem trazido consequências drásticas à nossa sociedade, milhares de pessoas insatisfeitas consigo mesmas e seus corpos em frente ao espelho só lhes mostra defeitos, as pessoas não enxergam mais sua beleza interior, existe sim um vazio enorme em seu interior, pois querem ser o que não são, querem ser como as modelos das capas de revistas e comerciais.

Mister Músculos - 1980 
Estes efeitos causados pela indústria do consumo, na sociedade, só lhes trás mais crescimento e sucesso, por que pessoas insatisfeitas correm às lojas para comprarem objetos afim de satisfazerem seus desejos, acabar com a ansiedade, aumentar sua auto estima. Mas esses prazeres são passageiros, pois logo após alguns segundos, já querem outro produto, pois o que comprara a pouco tempo já se tornou obsoleto, tudo isso devido a vida líquida em que vivemos nessa sociedade moderna, onde nada se firma, não dar tempo as coisas tomarem forma, os avanços são constantes, as modas passageiras, a cada minuto surge uma nova tecnologia.

1982 - Ginástica em casa
A indústria do consumo tem o objetivo de promover inconscientemente a insatisfação e não a satisfação, como muitas pessoas pensam e se deixam influenciar. Pessoas satisfeitas, bem humoradas, com auto estima não precisam da paranoia de viver comprando desenfreadamente, ou viver correndo atrás das coisas que estão na moda, a qual muda todo dia, trazendo assim um desgaste constante, viver trocando carro, celular, roupas, calçados; Pessoas bem resolvidas consomem mais ideias do que estética. A cada dia as pessoas estão sendo vistas por essa indústria de consumo, como mais um número de cartão de crédito, mais um comprador em potencial, e não como uma pessoa que deve ser valorizada por sua inteligência, capacidades e beleza interior.

1990 - Super Modelos


























Não importa o que as indústrias da moda, da beleza, do consumo e os meios de comunicações nos impõem, ou os produtos que colocam no mercado, prometendo milagres da beleza, do rejuvenescimento, dizendo que isso fará ser bem aceito na sociedade e ter ascensão social, não adianta está se matando para atingir o inatingível, pois cada pessoa tem uma beleza única, e devem ser aceitas como são, se cuidar e ser vaidosa faz parte da natureza de cada mulher, mas não chegar ao ponto de se deixar escravizar por isso. O envelhecer é nosso destino, viver feliz e com dignidade deve ser nossa meta.

Dessa forma, compreendemos que as concepções de corpo e de beleza aqui explicitados estão pautadas em relações de poder, pois os discursos que enxertam e constroem esse entendimento, estão ligados às relações históricas e culturais de uma sociedade, em outras palavras, em qualquer sociedade o corpo está preso no interior de poderes muito apertados, que lhe impõe limitações, proibições ou obrigações (FOUCAULT, 1987, p. 118).
Portanto, compreender os discursos acerca do corpo e da beleza, seria compreender as relações históricas, as práticas sociais e corporais que envolvem os seus discursos, haja vista, essas relações produzem um campo de saberes na sociedade ao intervir nos discursos das pessoas.
 Sendo assim, ressaltamos o discurso como uma construção social, não individual, e que só pode ser analisado considerando seu contexto histórico-social, uma vez que, reflete uma visão determinada, necessariamente, aos autores e à sociedade em que vivem. São, portanto, carregados de sentidos que não sabemos como se constituíram, mas que estão amarrados em significados e histórias individuais e coletivas,  amarrada às dinâmicas de poder e saber de um tempo.
No corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou cujas forças se multiplicam, encontra-se facilmente sinais do alvo de poder. Um poder que não é unilateral. O corpo dócil, como denomina Foucault (1987), que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado, modificado e aperfeiçoado, também pode exercer o poder e produzir saberes diversos.
Cabe assim, refletirmos quais os discursos da beleza que permeiam a sociedade, Essa experiência deve transcender os modelos ditos “ideais” para serem tomados e ancorados pelo deslumbramento e sensibilidade que os nossos olhos podem contemplar.
Essa experiência deve transcender os modelos ditos “ideais” para serem tomados e ancorados pelo deslumbramento e sensibilidade que os nossos olhos podem contemplar. Compreendemos aqui a partir de Nóbrega (2003, p.139) uma descrição fenomenológica de beleza, onde outros sentidos são considerados para além do modelo clássico de beleza:
    O belo não é uma idéia ou modelo, precisa ser experimentado, vivido, solicitando assim, a sensibilidade, como convite a contemplação. Na descrição fenomenológica, o belo não é uma forma idealizada ou uma redução ao gosto exclusivo do sujeito, mas uma articulação que acontece na percepção como interpretação dos sentidos proporcionados pelos jogos expressivos do corpo.
Dessa maneira, corpo e beleza como campos de reflexões, discursos e intervenções sociais, possuem múltiplos significados que variam ao longo do tempo, fazendo com que um indivíduo nunca seja considerado totalmente belo, ou seja, belo em absoluto, mas de forma relativa, já que esse conceito varia ao longo do tempo e das culturas. Isso ocorre, porque as culturas abarcam as dinâmicas, rupturas e conflitos de geração, de modo que, não apenas a concepção, mas o próprio “gênero” de beleza é modificado (VIGARELO, 2006).
É possível perceber que essas transformações temporais e coletivas, constituem as concepções de beleza dos indivíduos. Logo, os discursos a cerca da beleza, não podem ser reduzidos a contemplar e divulgar um único modelo, já que são múltiplas as interpretações da beleza criadas na história que podem ser revividas e resignificadas (VIGARELO, 2006, p. 157).


Bibliográfia:

  • FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: história da violência nas prisões. Tradução Raquel Ramalhete. 31. ed. Petrópolis: Vozes, 1987.
  • ______. A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyda, 1996.
  • ______. História da sexualidade I. A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
  • VIGARELLO, Georges. A história da beleza: tradução Léo Schlafman. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.
  • NÓBREGA, Terezinha Petrucia da. Corpo de tango: reflexões sobre gestos e cultura de movimento. In: LUCENA, Ricardo; SOUZA, Edílson (Org.). Educação Física, esporte e sociedade. João Pessoa: UFPB, 2003













  

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